Existe uma abundante iconografia relativa a todos os estudos de detalhes aos quais muitos pintores e escultores se consagraram. Alguns se apaixonaram por mãos e por pés: Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rodin, mas também Kyosai. Quando o Mestre Noro insiste na importância capital desse “detalhe”: os pés – o impulso a partir dos dedos, o andar – não podemos esquecer que a dança moderna nasceu da liberação do pé, do trabalho com pé-descalço, isto é, uma nova estética e um estilo de interpretação à partir dos pés. O teatro-dança oriental já tinha codificado tudo isso há muitos séculos.

Tadashi Suzuki, homem de teatro japonês contemporâneo, enfatiza, como Mestre Noro, esta arte dos pés: “A utilização dos pés é a base fundamental da interpretação teatral. São os pés que decidem a forma do corpo; o movimento dos braços e das mãos só faz adicionar um pouco mais de expressividade. A voz também, sua tonalidade e suas modulações, depende dos pés; pode-se ser um ator sem braços, sem mãos, mas certamente não se pode sê-lo sem pés.

Diz-se que o teatro Nô é a arte de andar, um mundo artístico criado pelos pés”. Deve-se dizer que essas observações “poderiam não limitarem-se ao Nô”… No Kinomichi, o ritual da saudação já traduz essa exigência de toda nossa presença a partir dos pés: como se sentar… como se levantar… como andar…