Com o Kinomichi Mestre Noro transmite e desenvolve um certo número de propostas concretas que questionam o trabalho do ator: a capacidade de sentir na hora (Zéami fala de “intuição correta no momento propício”) / o contato criativo com um parceiro / o sentido da imitação, da repetição / o desbloqueio psico-físico a partir de técnicas suaves de alongamento e de relaxamento / a prática da respiração abdominal ligada ao movimento / o papel e as conseqüências da expiração / a utilização de diversos níveis de energia, físico, emocional, mental. Assim que começamos a nos mexer no espaço, o movimento se realiza com um ou mais parceiros (diferentemente de outras técnicas como a Yoga ou o Tai-chi). Quanto mais o movimento se acelera, mais a memória do corpo deve cuidar para manter a leveza, o equilíbrio, a harmonia.

A transformação corporal é então acompanhada de uma modificação mental evidente. O controle e a utilização consciente de seus estados emotivos estão sempre presentes para o ator.

O Kinomichi como arte teatral é uma MEMÓRIA VIVA. A repetição de um mesmo gesto ou de uma mesma seqüência de movimentos “se impressiona” em mim. Esta impressão apaga pouco a pouco meu rascunho subjetivo, me obriga a reconhecê-la como lei, como princípio, a medida justa. Ao mesmo tempo em que eu ajo me envolvendo de forma franca, eu conduzo o que faço, já faço uma primeira triagem, vou instintivamente ao essencial. No dia seguinte eu recomeço: devo reavivar minha memória e trabalhar novamente, fragmento por fragmento, para encontrar a vida precedente da seqüência.

Esse trabalho paciente de marcação, de eliminação e de absorção exige uma atenção considerável para manter intacta a impulsão inata do início. Da improvisação à interpretação, cada uma dessas fases de trabalho é capital para o ator se ele quer que sua atuação permaneça viva.