Princípios Kinomichi

Temos aqui cinco princípios do Kinomichi a serem explorados e relacionados entre si. O desenvolvimento deles é o objetivo geral do Kinomichi. Ele foi criado em Paris em 1979 pelo próprio mestre Noro e vem aos poucos se difundindo pelo mundo. A prática do Kinomichi se divide em sete niveis, denominados “iniciações”.

 

Técnicas e Iniciações

As técnicas são estudadas com mãos nuas, com bastão Jô 杖, sabre de madeira Bokken 木剣 e sabre Iaito 居合刀, em pé ou ajoelhado, com controle no solo (isto é : alongamento profundo do ombro) ou com projeção (isto é : continuação da espiral e da energia terra-céu em harmonia com o solo e o parceiro, liberado das contingências da gravidade), com um parceiro ou mais de um, de maneira codificada ou livremente. A riqueza técnica dessa arte e a profusão de variações podem fazer acreditar em sua complexidade. Apesar disso, um estudo aprofundado e sustentado pela presença de um mestre permite perceber a simplicidade que revela a compreensão dos princípios. Assim, cada variação abre uma porta na direção de seus parceiros. Retomando o método didático de seu mestre Morihei UESHIBA, Mestre Masamichi NORO manteve 10 técnicas como base. A aprendizagem se faz por níveis de estudo ou iniciações.

Iniciação 1: 6 primeiras técnicas de base
Iniciação 2: 19 movimentos com as 6 primeiras técnicas de base
Iniciação 3: 33 movimentos sobre todas as técnicas de base e sobre 2 formas de aproximação
Iniciação 4: 111 movimentos e 8 formas de aproximação
Iniciação 5: todos os movimentos sobre as 16 formas de aproximação, com um ou mais parceiros
Iniciação 6: aplicação como: suriawasa, kokyowasa, kaichiwasa e outras
Iniciação 7: criatividade

Prática do Jo e do Boken: Símbolo da cavalaria japonesa, sua utilização contribui para apurar as sensações corporais e as posições de base. Ler mais >

 

Terra-Céu: a direção da energia

Aqui afinamos a consciência do nosso corpo e das nossas tensões musculares e articulares para deixar circular a força. Sensibilizando, experimentando e brincando com a força da gravidade, nos tornamos mais íntimos do nosso próprio peso.

Vamos através dos apoios com o solo nos aprofundando na relação terra-céu; a energia passa dos pés até as mãos e dos pés até a cabeça (reflexos anti-gravitários, dos quais nós somos fisiologicamente bem equipados). A união dessas duas forças gera movimento.

 

Contato com o(s) outro(s) – organização coletiva da energia

O contato a dois ou em grupo cria uma relação entre os parceiros onde a harmonia e a força permitem criar espirais, espaços e ritmos diferentes, sem que haja submissão nem dominação.

Ambos os lados são ativos e dividem o prazer de comunicar com seus corpos em movimento. O contato é, de um lado, uma escuta do parceiro e de outro lado um “olho sobre nós mesmos”. Cada um deve estar atento à sua própria organização e ao que percebe do outro.

Nos seis movimentos de base realizamos o contato através das mãos compreendendo a totalidade do corpo e a unidade no movimento dos parceiros. Não existe ataque, defesa, concorrência; no contato buscamos a expressão da unidade de ambos os participantes. No contato, pedimos não forçar, não se crispar, ficar aberto, o que em eutonia chamamos consciência do espaço interior.

 

Desbloquear o corpo – organização individual da energia

Perceber as tensões musculares e articulares. Ter consciência dos próprios bloqueios e trabalhá-los com paciência e abertura. Aqui pensamos nas cordas de um violão que produzem um bom som quando bem afinado; as cordas não podem estar frouxas nem muito esticadas.

O corpo está bloqueado quando no movimento a espiral e a força não conseguem passar livremente dos pés até as mãos e dos pés até a cabeça – trajeto natural da energia terra-céu. Respeitando a morfologia de cada um, podemos perceber nossos bloqueios através do contato e trabalhá-los. Desbloquear o corpo permite o encontro de uma boa tensão muscular e de uma qualidade elástica para nossos movimentos. O processo de busca é tão importante quanto o resultado.

 

Alongamento – a qualidade na passagem da energia

Um alongamento resulta do corpo que se expande e que vai em direção a um objetivo. Entre os dois o corpo se organiza. É aqui que as noções de unidade, de cadeia muscular e de morfologia intervém. Os exercícios de alongamento praticados no chão (deitado, sentado ou de joelho) na primeira iniciação, se aproximam do trabalho da doutora Ehrenfried, Gerda Alexander e Moshe Feldenkrais. Ler mais >

Nessa iniciação do Kinomichi os exercícios de alongamento são igualmente propostos em pé e a dois, num trabalho chamado contato (já citado acima), e na técnica dos seis movimentos de base (três movimentos de céu e três movimentos de terra) onde as cadeias musculares se enrolam para dentro e se desenrolam para fora. No trabalho a dois ambos se ajudam, juntos se constróem mesmo se têm experiências diferentes.

É também importante a atenção que damos à percepção de nossas próprias sensações e sobretudo sua duração. Abertura, suavidade, escuta, paciência, apoios, soltura, respiração livre devem estar presentes quando alongamos. O alongamento une espirais e expansão; nunca pensamos em inspirar.

Não dirigimos nossa respiração, apenas tomamos consciência do quanto precisamos “soltar”, “deixar sair o ar”, “sorrir”. O alongamento está associado à energia terra-céu e a unidade do corpo em movimento. O que o Kinomichi traz para o alongamento é a busca da unidade corporal e a ligação terra-céu em espirais.